quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Quando perceberes, já será tarde, e pensar nisto custa. Será mais uma das coisas a colocar na lista “poderia ter sido diferente”. Custa pensar que também a tua saudade virá fora de horas. Tudo assim foi.

# Rafa

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Põe-me numa caixa, uma caixa bem escura, mas põe tudo o que é meu e tudo o que, mesmo sendo teu, me envolve, se é que ainda te posso pedir algo. Depois tapa, tranca e guarda a caixa. Não! Melhor ainda, joga a caixa de um penhasco. Joga-me a mim, joga tudo o que fui e tudo o que poderia ser. Joga tudo o que sentiste. Se te posso pedir algo ainda, peço-te que faças isso. Mas lembra-te, que depois, comigo trancado na tal caixa, no fundo do penhasco, não haverá volta a dar.

# Rafa

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Partiste da mesma forma fugaz com que chegaste, sem um beijo, uma palavra ou sequer um bilhete de despedida. Levaste tudo o que trouxeste e parte do que já cá estava. Deixaste apenas promessas que de nada valem com a tua ausência e que não me movem nem moverão do jeito que faziam quando tu cá estavas. Se bem que tudo continua igual, pois da forma que estavas na minha mente só nela existias e o problema é que continuas a existir.

# Rafa

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Percebi que as minhas palavras eram em vão. Que nada daquilo que dissesse mudaria algo, porque o que precisavas não eram palavras. Percebi algo ainda mais fundo, percebi que não precisas de nada que venha de fora. Precisas apenas de encontrar algo que está dentro de ti e aí, aí sim, deverás e quererás vir ter comigo. Até lá eu fico sentado no banco em que me deixaste, enquanto o mundo passa diante dos meus olhos e eu nem o vejo. Na verdade, os meus olhos já só existem para o mundo que és tu.


# P

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Sem saber de onde, como e porquê, surgiu na minha mente a palavra “felicidade” e muitas outras que a têm como base. Batalho para tentar perceber o fundamento de tal aparição, mas sem sucesso. Bastava-me saber se é saudade de um passado ao qual quero regressar ou simplesmente um futuro que está a vir muito paulatinamente. Viro-me de pernas para o ar e não encontro respostas, pior ainda, não encontro as palavras que busco para saber ao certo o que sinto e que arrepio nas costas é este. Da última vez que tamanho desejo de felicidade foi por mim sentido, havia razão de o ser e integralmente foi saciado. Ou talvez não, pois se fosse não o estava a sentir de novo agora.

# P

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ódio

Odeio o paraíso que deste à nossa ilusão e odeio o mundo a que nos devolveste. Odeio o céu e o mar, os sorrisos e os choros, as alegrias e as tristezas. Odeio a gritaria e o silêncio, odeio as multidões e a solidão, odeio a calma e a confusão. Odeio a hospitalidade e as hostilidades, odeio a atenção e o desprezo, odeio o carinho e a violência. Odeio o amor e este ódio a tudo. Odeio sentir, odeio sentir cada inspiração, odeio sentir cada batimento cardíaco, odeio-me a mim e odeio estar vivo. Odeio tudo isto porque tudo isto está diferente. Odeio o paraíso a que fomos, odeio-o por não existir, e odeio a realidade a que quiseste voltar, odeio-a por ser diferente do paraíso em que estivemos. Odeio, odeio e odeio.

# Rafa